Segundos dados do IBGE, 55,8% da população brasileira se auto declara negra (pretos e pardos) e corresponde a 54,9% da força de trabalho.

No entanto, essa mão de obra ainda ocupa posições em atividades precarizadas e com menor proteção social, sendo, por exemplo, 47,3% dos ocupantes do empregos informais.

Somos também 75,2% dos que recebem os menores ganhos e somente 10% entre os com os maiores salários. Por isso, nosso desejo, neste Dia do Trabalhador, é por uma sociedade mais justa, livre de qualquer forma de discriminação e com igualdade de oportunidade a todos os trabalhadores e trabalhadoras.

A política de cotas raciais nas universidades, embora precise ser aprimorada, é certamente uma conquista democrática e relevante para reparar um processo histórico de exclusão de negros, negras e outros grupos étnicos nos espaços acadêmicos.
A cotas raciais foram incorporadas pela lei n⁰ 12.711, de 2012 e são fruto das lutas dos movimentos sociais que acreditam que ações afirmativas são forma de permitir acesso à educação de qualidade e consequente mobilidade social e econômica à população negra.
Conhecida como Lei das Cotas, ela determina que instituições federais de ensino superior e técnico de nível médio reservem 50% das suas vagas para alunos oriundos da rede pública de ensino, sendo metade destinada a população negra ou indígena. Por não obrigar instituições de ensino estaduais (ou privadas) a implementar tal modelo foi também com muita pressão social que as universidades estaduais passaram a adotar nos últimos anos políticas semelhantes.
Juntamente com financiamentos estudantis, programas de bolsas de estudos e a interiorização de campus universitários a lei de cotas tem sido vetor de diversidade e inclusão no ambiente acadêmico.
No entanto, essa realidade ainda não se reflete no mercado de trabalho.
Somos 54,9% da força de trabalho brasileira, mas ocupamos apenas 4,7% dos cargos executivos e desses somente 0,6% têm a frente mulheres negras, revelam dados do Instituto Ethos. Quando possuímos nível de instrução e tempo de formação equivalentes a profissionais não negros chegamos a receber remuneração até 45% menor.
Para mudar esse cenário, a política de cotas deve ser seguida de políticas de diversidade nas empresas que tenham a questão racial como cerne. Para se alcançar igualdade racial (e de gênero) é preciso também focar em ações específicas para contratação, retenção, equiparação salarial e plano de carreira para profissionais negros e negras, para que estes saiam do ambiente acadêmico com real oportunidade de inclusão no mercado de trabalho formal.

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