O Instituto da Advocacia Negra Brasileira – IANB abriu a Reclamação Disciplinar nº 0007964-73.2020.2.00.0000 contra a juíza do Trabalho Ana Luiza Fischer Teixeira de Souza Mendonça, atuando no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, em 20/09/2020.

A juíza do trabalho publicou pela manhã de 19/09/2020 em seu perfil no Twitter que o programa de trainee da empresa Magazine Luiza, que aceitará apenas candidatos negros, é inadmissível.“Discriminação na contratação em razão da cor da pele: inadmissível”, escreveu na rede social. “Na minha Constituição, isso ainda é proibido”, afirmou a juíza ao responder um comentário feito na publicação. Por volta das 16h, a juíza apagou o post e fechou sua conta no Twitter, restringindo o acesso apenas a seguidores. Antes, ela havia compartilhado publicação do deputado federal Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), que trazia a notícia sobre a iniciativa do Magazine Luiza, e questionava, em comentário: “E esse racismo, é do bem?“.

Na denúncia, o IANB afirma categoricamente que a juíza “ofende diretamente a comunidade negra, com o fenômeno vulgarmente denominado de racismo reverso“, pede retratação imediata nas redes sociais e requer providências do CNJ contra o atento de Fischer, que atenta contra a dignidade e a cidadania da população negra no Brasil, “sem prejuízo das sanções legais em face da Magistrada, como suspensão de sua atividade laborativa por prazo determinado por este Conselho sem recebimento dos proventos e vantagens originárias do cargo público“.

Em 18/09/2020, o Magazine Luiza anunciou a abertura das inscrições para o programa, que seria voltado apenas para negros, em cumprimento ao Estatuto da Igualdade Racial. “O objetivo do Magalu com o programa é trazer mais diversidade racial para os cargos de liderança da companhia, recrutando universitários e recém-formados de todo Brasil, no início da vida profissional”, informou a empresa, em comunicado.

O programa de trainees lançado é o primeiro no Brasil e foi desenvolvido em parceria com as consultorias Indique Uma Preta e Goldenberg, Instituto Identidades do Brasil, Faculdade Zumbi dos Palmares e Comitê de Igualdade Racial do Mulheres do Brasil. Após Magazine Luiza, a Bayer anunciou que também terá um programa de trainees exclusivo para negros. A empresa também lançará ainda neste mês um programa de mentoria para negros, voltado para profissionais que já atuam na companhia. “Nessa primeira fase, a iniciativa vai oferecer mentoring de carreira para 16 estagiários e analistas, ao longo de três meses”, afirmou em comunicado.

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